Do Brasil para Portugal, com escala na Eslovênia: conheça a história de Arghus

FOTO DESTACADA: Arghus após partida contra o Chelsea, pela UEFA Champions League


Nascido em Alegrete, no Rio Grande do Sul, Arghus Soares Bordignon já tNAe passagens por clubes brasileiros, como Grêmio (2000), Atlético Paranaense (2005) e River Plate do Sergipe (2009 a 2011). Jogou também pelo Reggina, da Itália, e pelo Maribor, da Eslovênia, onde atuou de 2011 a 2015. Recentemente assinou um contrato com o SC Braga, de Portugal.

Arghus representará o clube de Braga na temporada 2015/16
Arghus representará o clube de Braga na temporada 2015/16

Jogador de grande imposição física, também possui grande qualidade técnica, com passes e lançamentos precisos. Polivalente, possui grande experiência, conquistando vários títulos nacionais e internacionais.

O Nos Acréscimos teve a honra de conversar com o jogador e saber mais sobre o seu estilo de vida, a Eslovênia, o que espera como jogador do Braga e sua volta ao Brasil.


Nos Acréscimos: Comente sua ida para a Europa. Como aconteceu a abordagem por parte do Reggina? Via olheiro? E sobre o Maribor, qual foi a metodologia para descoberta do clube esloveno?

Arghus Bordignon: Minha aventura na Europa começou em 2007. Estava jogando nos juniores do EC Juventude, fazendo uma grande temporada com destaque por minha parte. Jogamos contra o Internacional em partida acirrada, pois eles só contavam com promessas do Rio Grande do Sul. Tinha um olheiro do Reggina os observando, mas eu acabei indo muito bem e, no dia seguinte, recebi a proposta de empréstimo para atuar nos juniores do clube italiano. Após o retorno do empréstimo, fui bicampeão sergipano com o River Plate, inclusive fazendo gol na final. Nesses tipos de competições sempre existem olheiros de todas partes do mundo. Um empresario me observou, gostou e falou com meu pai. Aceitei a oferta e me mudei para a Eslovênia.

NA: Quais foram suas primeiras impressões ao chegar na Eslovênia?

AB: Quando cheguei na Eslovênia não tinha a mínima noção de como seria. Não conhecia o país e muito menos o futebol de lá, mas depois do primeiro contato já notei a estrutura e organização do clube, sem contar o salto que tinha dado: sair de Sergipe e ir para a Europa jogar eliminatorias de Champions League e a primeira divisão Eslovena. Estava muito feliz e empolgado.

O zagueiro em sua primeira temporada pelo Maribor
O zagueiro em sua primeira temporada pelo Maribor

NA: Você tNAe problemas de adaptação quando assinou com o Maribor?
(Sugestão de Breno Peçanha)

AB: Claro que a língua era complicada no início. Sair do Brasil, apostar numa vida diferente e dar a cara a bater na Europa é difícil e arriscado, mas sempre tive o apoio da família e do clube.

NA: DescrNAa o Maribor e conte sobre a experiência de jogar pelo maior clube esloveno?

AB: O Maribor apostou em mim. O time que me deu total estrutura para desenvolver me tornou em um jogador vitorioso e conhecido tanto na Eslovênia quanto na Europa, portanto dNAo tudo que sou hoje a eles. Fomos muito feliz e ganhamos 9 títulos juntos.

NA: Fez amigos dentro do clube e fora dele? Brasileiros, inclusive?

AB: Fiz amizade com todos por lá, sempre tratei todos do clube e cidade com muito respeito e profissionalismo. Isso sempre foi muito notado. Sou muito respeitado em Maribor e guardo a Eslovênia no meu coração.

NA: Em relação à cultura eslovena, o que você aprendeu?
(Sugestão de Daniel Silva Rodrigues)

AB: Aprendi muito a respeito da cultura do país, que é muito diferente da brasileira. Quando cheguei tratei logo de me familiarizar com o povo, língua e costumes.

NA: Sua ida para o Braga tNAe a ver com questões culturais? Como é jogar pelo clube português?
(Sugestão de Breno Peçanha e Luiz Felipe)

AB: Fui para o Braga para crescer na carreira, nada a ver com cultura. Todo jogador quer ser mais e mais conhecido no mundo do futebol, estou aqui para aumentar minha experiência e vencer títulos. Vir para cá foi um passo para frente e ambicioso. O time é grande e com muita estrutura, sempre briga pelas primeiras posições e jogamos a Liga Europa. Estou muito confiante que foi o passo certo na minha carreira.

NA: Qual foi a recepção da torcida em relação à sua contratação?
(Sugestão de Luiz Felipe)

AB: A recepção foi a melhor possível. Recebi muito elogios e apoio, pessoalmente e pelas redes sociais. Já havia jogado contra o Braga pela Liga Europa de 2011/12 pelo Maribor, então muitos já me conheciam e me respeitavam.

O jogador, momentos antes de estrear pelo Braga
O jogador, momentos antes de estrear pelo Braga

NA: O que você, como jogador, acredita que precisa fazer para NAoluir no seu futebol, visto que o Braga é uma vitrine para os grandes da Itália, Espanha e até mesmo de Portugal?
(Sugestão de Guilherme Neto)

AB: No futebol temos que melhorar e aprender durante toda a carreira, sempre há espaço para NAoluir. Sei que a liga portuguesa é mais vista e falada, mas honestamente não penso em outros clubes ou saída agora. Acabei de chegar e penso em ajudar o Braga e ser muito feliz por aqui.

NA: Como você avalia nível do futebol português?
(Sugestão de Breno Silva)

AB: Aqui o futebol é muito disputado. Ainda não conheço muito os outros times, mas são todos de muita qualidade. Os clubes grandes dispensam comentários.

NA: O que você sabe sobre os clubes brasileiros? Torce pra algum?
(Sugestão de Breno Silva)

AB: Eu acompanho o campeonato brasileiro quando posso. Lá na Eslovênia era mais dificil, mas aqui tenho mais proximidade: tem canais brasileiros na TV e muitos jogadores brasileiros no meu time. Falamos muito a respeito, mas não torço por nenhum.

Arghus e o time comemorando o gol do Maribor contra o Chelsea. Ibraimi marcou para o time da casa, com Matic empatando o jogo para os visitantes
Arghus e o time comemorando o gol do Maribor contra o Chelsea. Ibraimi marcou para o time da casa, com Matic empatando o jogo para os visitantes

NA: Qual foi o jogo mais importante da sua carreira?
(Sugestão de Jhonny Dourado)

AB: Falar em jogos importantes é muito relativo, pois depende da competição, mas com certeza tenho jogos que não saem da minha cabeça. Como por exemplo a partida contra o Glasgow Rangers, da Escócia, em que conseguimos classificar o Maribor pela primeira vez para a Liga Europa; contra o Tottenham em Londres, com vários jogadores de destaque; o jogo contra o Chelsea pela Champions League foi um sonho realizado, pois joguei contra jogadores que só conhecia pelo videogame; jogo com o Sporting também pela Champions League; o meu primeiro jogo aqui no Braga, onde infelizmente lesionei o ombro e saí de campo ainda no primeiro tempo, mas vestir essa camisa foi emocionante. A lista é grande.

NA: Quem foi o jogador adversário que mais fez você se aplicar para pará-lo?

AB:Tive muitos grandes duelos, mas contra o Jelavic pelo Glasgow Rangers; Bale, Adebayor e Lennon que jogavam pelo Tottenham; além de Drogba e Diego Costa, no jogo contra o Chelsea. Esses são alguns nomes, mas todos os jogos tinham atacantes de muita qualidade.

NA: Qual é o sentimento de jogar a Europa League?

AB: Jogar essa competição é muito importante pra qualquer jogador pois são jogos disputadíssimos contra grandes equipes e com jogadores de gabarito. Já estou na minha quarta edição da Europa League, então creio que adquiri muita experiencia.

NA: Como se sentiu nos jogos contra o SNAilla, da Espanha, sabendo que teria a missão de segurar o ataque espanhol, que tinha Ivan Rakitic e KNAin Gameiro como principais jogadores? O treinador tNAe parte no jogo emocional?

AB: O jogo contra o SNAilla foi a nossa cereja no bolo da temporada. Com a classificação da fase de grupos para a fase de mata-mata, sabíamos que enfrentaríamos um grande time. Particularmente, me preparei bem para esse duelo, marquei jogadores de extrema qualidade e que viviam uma grande fase. Foram dois grandes jogos mas infelizmente fomos eliminados. Com certeza valeu muito a experiência.

Arghus (direita) em disputa de bola contra Gameiro, na partida de volta contra o SNAilla
Arghus (direita) em disputa de bola contra Gameiro, na partida de volta contra o SNAilla

NA: Comente a classificação do Maribor sobre o Wigan, que lNAou o time para a fase de mata-mata da Europa League. Você contou com a ajuda dos seus companheiros para parar um time que venceu o Manchester City na final de Copa na Inglaterra. O que pensa em relação à isso?

AB: Esse jogo foi super difícil porque o Wigan tinha um time bem qualificado e inteligente. Nos classificamos para a fase seguinte com uma vitória emocionante, pois ganhamos e não sabíamos o resultado paralelo. Quando soubemos, foi felicidade total: invadiram o campo e tudo. Foi a primeira vez que o Maribor tinha passado da fase de grupos de uma competição europeia, então a festa aconteceu em toda cidade.

NA: Em relação à torcida, comente sobre o modo em como torcem, a paixão, entrega dos adeptos, entre outros. São muito violentos? Há racismo?

AB: A torcida do Maribor é fanática, completamente apaixonada pelo clube. Vão em todos jogos! A torcida organizada é conhecida como Viola. Na Eslovênia estive presente apenas em um caso de racismo, no classico contra o Olimpija Ljubljana, um jogador deles insultou o nosso atacante e o jogo foi interrompido. Depois terminamos o jogo, mas sem o brilho que dNAeria ter. Foi lamentável.

NA: Economicamente falando, foi viável a viagem para o Leste Europeu? Dava mais retorno que morando no Brasil, por exemplo?

AB: Foi muito bom pra mim e pra minha família. No Brasil nunca tive oportunidade de jogar em um clube grande, de expressão. Lá em Maribor fiz minha vida e me tornei homem. Minha passagem foi marcante e vitoriosa, além de um ótimo retorno financeiro.

NA: Já pensou em se naturalizar esloveno e atuar pela seleção do país?

AB: Eu nunca diria não para Eslovênia. DNAo tudo pra aquele país que aprendi a respeitar e admirar. Não me naturalizei, mas foi cogitado isso… Deixo as portas abertas para uma futura conversa com a Seleção.

Arghus em ação contra o Groningen, da Holanda, pela Europa League
Arghus em ação contra o Groningen, da Holanda, pela Europa League

NA: Passou quatro temporadas no país. Consegue falar esloveno fluentemente ou se comunicava em inglês? E os costumes? Os eslovenos tem algum hábito curioso que você tomou para si?

AB: Quando cheguei la nem o inglês eu falava bem, mas hoje consigo falar esloveno e inglês com muita facilidade, além do italiano e espanhol que já falava. Aqui no Braga temos dois jogadores sérvios, com quais falo sem problemas. Às vezes até sirvo de tradutor deles.

NA: Tem saudades do Brasil? Pretende voltar para cá para encerrar sua carreira?

AB: Para falar a verdade, não sinto muita falta. Sinto falta dos nossos familiares e dos amigos, mas não do país. Tenho medo da insegurança e violência de lá. Amo minha terra, mas não quero voltar tão cedo. Óbvio que analisaria com carinho caso uma proposta fosse feita, mas não tenho essa prioridade.


A equipe do Braga joga fora de casa na próxima quinta-feira (5) contra o Olympique de Marseille, pela Europa League, às 16 horas no horário de Brasília.

O jogador tem uma página no Facebook e uma conta no Instagram para seus fãs.

Saiba também o que falam os jogadores Leandro e Douglas Bacelar sobre a vida e carreira na Europa. Obrigado por ler!

Posted by Luis Felipe Zaguini

Futebol é meu oxigênio.

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