Gheorghe Hagi: O Maradona dos Carpátos

Hagi nasceu em Săcele, uma pequena cidade romena com aproximadamente 30 mil habitantes, em 5 de fevereiro de 1965. Formado no modesto Farul Constanţa, estreou pela equipe no ano de 1982, mas não ficou muito tempo por lá, pois já no ano seguinte, trocou o Farul por um clube da capital, o  Sportul Studenţesc. O bom futebol demonstrado por Hagi no novo clube lhe rendeu sua primeira convocação para a seleção romena ainda no ano de 1983. Gheorghe representou seu país na Eurocopa de 1984, mas acabou não tendo uma participação boa no campeonato e caiu com sua equipe ainda na primeira fase.

A maturidade e o futebol do jovem impressionaram os dois maiores clubes da Romênia: O Dínamo Bucareste e o Steaua Bucareste, sendo o segundo o clube que Hagi escolheu para defender a partir da segunda metade da temporada 86/87. O Steaua vivia a fase mais feliz de sua história, pois havia conquistado o título inédito da UEFA Champions League na temporada 85/86. Após ter perdido o Mundial Interclubes para o River Plate, o Steaua enfrentou, já com a presença de Hagi no elenco, o Dínamo de Kiev para a decisão da Supercopa Europeia. Os ucranianos tinham uma equipe muito forte, mas Hagi fez a diferença e anotou o único gol do jogo, dando o título para o time de Bucareste. A temporada 86/87 ainda renderia uma dobradinha com o Campeonato Romeno e a Copa da Romênia para os vermelhos e azuis da capital.

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Hagi com a taça da Supercopa Europeia

Após vencer o Campeonato Romeno e a Copa da Romênia em mais duas oportunidades (87-88 e 88-89), o Steaua voltou para a final da Liga dos Campeões e apostava no diferencial de seu camisa 10 para a glória. Entretanto, Hagi e seus colegas não foram páreo para o Milan de Van Basten e Ruud Gullit, que marcaram dois gols cada e levaram a taça para Milão.

O ano de 1990 trouxe para a Romênia sua primeira participação em Mundiais desde a Copa de 1970. Os romenos estavam no Grupo B, que tinha também Camarões, Argentina e União Soviética. Na estreia, batem os soviéticos por 2 a 0, com dois gols de Marius Lăcătuş, na segunda rodada, perdem para Camarões por 2 a 1, com dois gols do veterano Roge Milla. Na última rodada, saem perdendo pra Argentina, mas buscam o empate com gol de Gavril Balint, conseguindo assim a segunda posição do grupo, Nas oitavas, enfrentaram a estreante Irlanda e surpreendentemente foram despachados após um 5 a 4 nas cobranças de pênalti (Hagi converteu o primeiro pênalti dos romenos).

Mesmo com sua má participação no Mundial, o Real Madrid via no talentoso jogador a chance de seguir sua seita de glórias. Os blancos eram até ali penta campeões nacionais. Entretanto, o Maradona dos Carpátos não demonstrou o mesmo futebol dos áureos tempos de Steaua e acabou ficando no Real Madrid somente a até 1992, ganhando somente a Supercopa da Espanha de 1990 (ganha como um mero reserva).

Querendo ser protagonista, Hagi transferiu-se para o Brescia, clube da Série B italiana que contava com Florin Răducioiu e Mircea Lucescu (Treinador). Conseguiu o acesso à elite na temporada 1992/93, mas acabou sendo rebaixado logo na temporada seguinte.

O ano de 1994 seria o melhor da carreira de Hagi. Era visto como o diferencial do bom time romeno na Copa do Mundo daquele ano. Situados no grupo A, os Romenos encararam a Colômbia, uma das sensações daquela Copa e venceram com um memorável gol de Hagi e outros dois de seu colega de Brescia,  Florin Răducioiu. Foram massacrados pela Suíça (4 a 1, com o gol de honra sendo anotado por Hagi) e bateram os anfitriões Estados Unidos com um gol de Petrescu. Com o primeiro lugar do grupos, os romenos foram às oitavas e encararam a Argentina. Em jogo duro, os romenos despacharam os sul-americanos 3 a 2, gols de Ilie Dumitrescu (2) e Hagi (1). Nas quartas, protagonizaram um ótimo jogo com a Suécia, que acabou empatado em 2 a 2 após o time de Hagi ter cedido o empate faltando somente cinco minutos para o fim da prorrogação. Nos pênaltis, Hagi converteu, mas viu Petrescu e Belodedici pararem em Ravelli e ceifarem a participação romena no Mundial.

Com a estupenda Copa do Mundo que fez, Hagi atraiu mais uma vez o interesse do futebol espanhol, mais precisamente o do Barcelona.  Comandado por Cruyff, ele não rendeu nem de longe o mesmo futebol da Copa do Mundo de 1994 e ficou somente dois anos no Barcelona, tendo ganho uma Supercopa da Espanha.

Querendo rever as conquistas, Hagi foi para o Galatasaray em 1996. Na Turquia, ele mostrou o áureo futebol da seleção romena e venceu quatro vezes seguidas o Campeonato Turco( 1996/97, 1997/98, 1998/99 e 1999/00), duas vezes a Taça da Turquia ( 1998/99 e 1999/00) e a Supertaça da Turquia (1997 e 2000), além claro da principal conquista: A taça da UEFA Europa League (1999/00) batendo o franco favorito Arsenal e a Supercopa Europeia de 2000.

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Hagi com a Taça da Supercopa Europeia de 2000

Ainda em 2000, Hagi despediu-se da seleção romena na Eurocopa de 2000. Ainda tendo boas atuações, conduziu a Romênia até as quartas de final,quando foram eliminados pela Itália. Esse seria somente um “Até breve”, pois Hagi assumiu a Romênia como treinador já em 2001. Não conseguiu levar o país à Copa de 2002 e foi dispensado. Comandou o Bursaspor em 2003/04 e o Galatasaray em 2004/05 (ganhando seu único título como treinador, a Copa da Turquia). Trabalhou ainda no Poli Timisoara e no Steaua Bucareste (Ambos da Romênia) e regressou ao Galatasaray, onde trabalhou nas temporadas  2009/10 e 2010/11.  O maior ídolo romeno queria servir ainda mais o seu país e teve a grande ideia de montar  uma equipe para fornecer jovens talentos para a seleção que por tanto tempo defendeu. Nascendo assim o Viitorul Constanţa. Hagi assumiu o comando da equipe na temporada 14/15, conduzindo o time à Liga Europa já na temporada 16/17, caindo para o Gent, da Bélgica. O Viitorul é hoje o líder do Campeonato Romeno e seu filho Ianus Hagi é jogador da Fiorentina.


Hagi é acima de tudo uma figura ímpar no futebol romeno e europeu. Dono de uma canhota potente e liderança nata, deu a infelicidade de não repetir nos clubes o sucesso que obteve por sua seleção. Entretanto, será sempre lembrado entre os fãs do futebol, pois ídolo é para sempre!

Posted by Matheus Felippe