Igor Rezende: O goleiro que não quer ser lituano

A carreira de jogador é muito complicada e trás diversos desafios e decisões difíceis. Dentro e fora de campo essas decisões aparecem. Para um atacante batedor de pênaltis, não é fácil escolher o canto do gol para bater, assim como para um goleiro, não é fácil escolher um canto do gol para pular. Fora de campo, não é fácil escolher um time para assinar quando tem mais de um interessado. Nos dias atuais, muitos jogadores “trocam” de país, defendem camisas de outros times, outros países. Para que isso aconteça, na maioria dos casos o jogador em questão tem de estar jogando no país que ele quer defender. No caso de Igor Rezende, a história poderia ser diferente.

O jovem goleiro tem um dos nomes mais comuns do leste europeu, mais precisamente na Rússia e Ucrânia, mas suas origens vem da Lituânia, país próximo a esses outros dois. Nascido na capital paulista, o jovem de 22 anos tem Efimovicius no nome,  mas não o usa frequentemente.

Desde pequeno, Igor está numa das posições de maior responsabilidade dentro de campo. (Foto: Arquivo Pessoal)
Desde pequeno, Igor está numa das posições de maior responsabilidade dentro de campo. (Foto: Arquivo Pessoal)

Igor nunca jogou fora do Brasil. Começou no Tupi-MG, passou pelo Artsul-RJ e agora está no América-RJ. Mesmo assim, o sobrenome desperta curiosidade sobre o que o jovem goleiro conhece sobre o país. Falamos um pouco com ele sobre suas origens, seu referencial na posição e claro, sobre o desejo dele de jogar pelo país do qual seu sobrenome atípico tem origem. Confira:


Nos Acréscimos– Sabemos que você ainda é um goleiro bem jovem. Como todo jovem, você tem ídolos na posição. Quando se fala em goleiro, qual a sua referência?

Igor Rezende Eu sempre tive uma grande admiração pelo Casillas. Peter Schmeichel foi um monstro e pra mim o maior da historia, mas meu referencial técnico e por ser mais parecido em estilos de jogo e porte físico comigo é o Casillas. Ele é de um talento fora do comum.

NA– Explique qual é a sua relação com a Lituânia.

IR– Alguns tios-avós e minha avó por parte de pai eram lituanos que vieram ao Brasil para tentar a sorte. Infelizmente não cheguei a conhecer minha vó Nina, meu único contato com minhas origens foi uma visita a minha tia-avó Ljuba quando eu tinha uns 8 anos, mas  não me recordo de muita coisa.

NA– Você começou a carreira no Tupi e está no América-RJ. Não são equipes que fazem parte da elite do futebol brasileiro. Com base nisso, você cogita algum dia jogar na Lituânia?

IR– O futebol lituano infelizmente não tem uma boa visibilidade, não tem muita expressão no cenário mundial, mas não é algo que eu descartaria se houvesse uma oportunidade. Acho que seria interessante, nunca se sabe.

NA– Seleção brasileira é o grande objetivo da maioria dos jogadores brasileiros. Você está junto deles ou não descarta defender a Lituânia, por exemplo.

IR– Meu sonho é vestir a camisa da Seleção Brasileira, eu tenho isso como meta pra minha carreira e seria um orgulho enorme defender o meu país, mas acho que não poderia recusar um convite da seleção lituana caso houvesse. Ainda assim acredito que seria inviável, pois na consulta que fiz ao consulado em busca de dupla-cidadania, descobri que não seria possível, apenas se eu abdicasse da cidadania brasileira, algo que eu não poderia fazer.

NA– Nosso foco continua sendo fora, na Europa. O que você conhece de fato do futebol lituano?

IR– Quase nada. Graças a Deus temos o Football Manager, do qual eu sou fanático e que me ajuda a estudar o futebol e passar o tempo nas horas livres. O máximo que eu conheço em relação ao futebol lituano é o goleiro Arlauskis e o lateral do Siena, Stankevicius. Esses certamente são os nomes mais relevantes do país. Desconheço quase todos os clubes de lá, apenas sei do atual tricampeão Žalgiris Vilnius, mas muito pouco.

NA– Voltando para o Brasil, qual o seu projeto para as próximas temporadas?

IR Para os próximos anos eu almejo aumentar meu número de jogos como profissional, de forma que fortaleça meu nome no mercado, e assim começar a ter uma certa estabilidade, para ir em busca de títulos e prêmios pessoais. Quero viver de títulos, marcar meu nome por onde eu passar.

 

Igor ainda defendendo o tradicional América-RJ (Foto: Arquivo pessoal)
Igor ainda defendendo o tradicional América-RJ (Foto: Arquivo pessoal)

Posted by Giovanni Chacon

Amante do futebol em geral. Fundador do Nos Acréscimos e comentarista na Rádio Jovem Pan AM - São Paulo. Estudante do primeiro ano de jornalismo.