Kelvin Panstein: Juventude brasileira em terras europeias

Todo jogador coloca objetivos e metas pessoais em sua carreira: Jogar as competições continentais, conquistar títulos, fazer gols e outras coisas mais. Kelvin Panstein não é diferente. O goleiro  de 21 anos trocou o Boavista, de Portugal pelo Speranța Nisporeni, da Moldávia, visando jogar a Liga Europa e obter um destaque maior no cenário do futebol europeu. Entretanto, nem sempre tudo sai como queremos e Kelvin enfrentou diversas dificuldades na nova equipe. Dificuldades estas que ele contou em entrevista para o Nos Acréscimos.


NA:  Você saiu do Brasil antes mesmo de jogar como profissional e seguiu sua formação em Portugal. Como isso influenciou em sua formação como cidadão e jogador de futebol?

KP: Isso influenciou de maneira muito positiva como pessoa e profissionalmente, pois tinha acabado de completar 18 anos e era ainda muito inexperiente. Comecei em clube pequeno de Portugal, Gondim Maia, onde meus companheiros de equipe trabalhavam o dia todo antes de ir para o campo treinar por prazer de jogar. Isso me fez treinar muito mais e dar muito mais de mim, pois eu só jogava futebol, eu tinha que ser o melhor dali, graças a esses exemplos que tive no clube que me fizeram treinar mais, fui ao Boavista, onde comecei mesmo a ser um jogador de futebol, treinava todos os dias às vezes 3 vezes no dia.


NA: Após essa experiência muito positiva no futebol português, você decidiu seguir rumo ao futebol moldavo, mais precisamente ao Speranța Nisporeni. O que te levou a tomar essa decisão?

KP: Recebi um convite para ir para a Moldávia, como se tratava de um time da primeira divisão com possibilidade de disputar uma Liga Europa, vi ali uma oportunidade grandiosa para obter o reconhecimento que desejo.


NA: Como foi sua recepção e adaptação em seu novo clube?

KP: Fui muito bem recepcionado assim que cheguei, mas fui para um período de teste, pois saí de um clube amador de Portugal, o Pasteleira e tenho muito que agradecer a eles. No meu primeiro treino na Moldávia, machuquei 3 dedos da mão direita, como sabe sou goleiro, mas não parei de treinar, pois meu teste final era um amistoso no sábado contra o Zimbru, onde correu tudo muito bem. A adaptação foi bem difícil, começando pela língua que é o Russo e o Romeno, falavam muito pouco o inglês e eu também. Minha sorte era que tinha mais um brasileiro comigo lá, Heron Miranda e  ele me ajudava muito na comunicação.  Outra dificuldade foi o estilo de jogo. Nunca tinha visto coisa igual, um quanto feio de se ver, era muita bola lançada do zagueiro direto pro atacante, sem muita participação do meio de campo. O treinador ainda é muito jovem e tem muito que aprender, como todos nós. Não havia muita conversa e incentivo, eram apenas ordens e isso dificulta muito o relacionamento entre atleta e treinador, sendo essa outra dificuldade que enfrentei.


NA: Você recebeu somente duas chances de mostrar serviço com a camisa do Speranța  em partidas pela Liga. Você acha que sua dificuldade em comunicar-se com o treinador pode ter diminuído suas oportunidades?

KP: Tenho certeza disso. Pois no que era pra ter sido minha terceira partida pela liga, não teve sequer uma única conversa que eu não jogaria aquele jogo, e isso foi um quanto difícil pra mim, tanto não jogar, quanto não ter sido dito durante a semana que eu não jogaria por algum motivo. Porque quando se há uma conversa do por que não jogar, acrescenta muito em uma boa relação e no meu crescimento como atleta para saber o que era preciso melhorar, mas nunca era dito nada.E foi a primeira vez que não tive uma boa relação com meu treinador, todos que tive até hoje eram excepcionais em nosso relacionamento.


 

 NA:  Você deixou a equipe no começo de janeiro. Como foi esse processo de rescisão? Foi amigável?
KP: Foi tranquila, foi no final de um treino onde resolveu-se a minha saída do clube.No outro dia já estavam assinando todos os papéis da decisão, foi amigável sim. Todos sabiam que eu não estava feliz ali e, quando não se está feliz, as coisas não acontecem completamente.


NA: Como os moldavos veem o futebol brasileiro? Você conseguia acompanhar alguns jogos enquanto residia na Moldávia?

KP: Eles veem o futebol brasileiro do jeito que todos nós gostamos, com aquela alegria e dribles desconcertantes. Futebol do Brasil pra mim ainda é o melhor do mundo. Assisti sempre os jogos do Brasileirão, pois precisava pontuar no Cartola FC ( risos ).


NA: Quais são seus planos para o futuro após esse período sabático para matar a saudade dos familiares?

KP: Depois que sai da Moldávia, não parei de treinar momento algum. Nunca sabemos a hora que surgirá algum clube  e temos que sempre estar preparados. Agora é esperar algo novo aparecer para retomar aos trabalhos profissionalmente.

Posted by Matheus Felippe