László Kubala, o viajante da bola

László Kubala nasceu  no dia 10 de junho de 1924, em Budapeste, Hungria.  Começou no futebol profissional bem cedo, aos 17 anos, no Ganz, modesto clube de sua terra natal. Aos 18, chegou ao Ferencváros, uma das principais equipes do futebol húngaro. Lá, Kubala jogou ao lado de  Sándor Kocsis, futuro craque do futebol mundial. A morte de seu pai e a convocação para o serviço militar, o fizeram tomar uma atitude extremamente radical: Mudar-se para a Checoslováquia, mais precisamente para Bratislava, cidade natal de sua mãe. Kubala retomou sua carreira no Slovan Bratislava e foi convocado para a seleção da Checoslováquia, a primeira das quatro que defenderia. Pela seleção, fez seis jogos e quatro gols e impressionou Anna Viola Daucik, irmã do técnico Ferdinand Daucik e com quem se casaria.

Uma convocação voltou a importunar o jovem, que queria simplesmente jogar futebol. Kubala retornou até a Hungria e defendeu o Vasas, além de ter feito três jogos com a seleção húngara. Porém, o jogador não ficou muito no país devido a ascensão do comunismo. Fugiu clandestinamente para a Itália, onde foi bem recebido pelo Pro Patria. A sua chegada ao clube italiano chamou atenção de diversas equipes e foi outra da terra da bota que convidou Kubala para um amistoso contra o Benfica: O Torino, clube até então tetra campeão italiano. No entanto, Kubala recusou o convite para ficar com sua mulher e seu filho, que estavam doentes. Priorizar a família acabou salvando a vida de László Kubala. O avião que trouxe os jogadores do Torino de volta daquele amistoso acabou se chocando com a Basílica de Superga e matou todos que estavam a bordo.

A fuga do craque para a Itália teve o conhecimento da FIFA e Kubala foi suspenso do futebol profissional por tempo indeterminado. Injuriado com a decisão, ele se juntou com o Ferdinand Daucik e outros jogadores do Leste Europeu e fundou uma equipe de futebol amadora, chamada Hungária. Com o Hungária, Kubala venceu o Real Madrid, a Espanha e o Espanyol. Com seu jeito destemido de jogar, Kubala chamou atenção de Josep Samiter, gerente do Barcelona. Kubala tinha uma única exigência: Seu cunhado, Ferdinand Daucik devia ser o técnico da equipe. O dirigente catalão agiu com rapidez e apresentou um contrato cumprindo essa exigência. Além disso, o Barcelona negociou com a FIFA a liberação do jogador para retornar ao futebol profissional.

Em 1951, Kubala retornou ao futebol profissional com a camisa do Barcelona. Justificando o esforço feito para contar com seu futebol, Kubala marcou 26 gols em 19 partidas do Campeonato Espanhol da temporada 1951-52, foi o artilheiro e campeão do torneio. Durante a campanha do título nacional, Kubala marcou incríveis sete gols em uma vitória por 9 a 0 contra o Sporting Gijón, cinco gols na vitória por 6 a 1 diante do Celta de Vigo e três gols contra Sevilla e Racing Santander. Na Copa do Rei, ajudou o Barcelona a bater o Valência pelo placar de 4 a 2 e ficar com o título. Ainda na temporada 1951-52, o Barcelona venceu a Copa Latina, a Copa Eva Duarte e a Copa Martini Rossi.

A temporada 1952-53 de Kubala foi comprometida por uma tuberculose que acometeu o jogador. Temendo por seu futuro, o Barcelona tentou contratar Di Stéfano, mas acabou perdendo o argentino para o Real Madrid. Como vencer as dificuldades era algo que sempre esteve presente com Kubala, ele se recuperou e ajudou o Barcelona a vencer de novo o Campeonato Espanhol e a Copa do Rei (Marcando um gol contra Athletic Bilbao. As atuações de gala pelo Barcelona, o fizeram ser convocado para a seleção espanhola e Kubala atuou pela terceira seleção em sua carreira. Pela Espanha, atuou de 1953 a 1961 e marcou 11 gols em 19 partidas.

Entre 1957 e 1960, venceu duas vezes a Taça das Cidades com Feiras (As primeiras conquistas continentais do Barcelona), viu o Camp Nou ser inaugurado, ajudou o Barcelona a contratar Sándor Kocsis e Zoltán Czibor (Também hungáros) e ganhou novamente o Campeonato Espanhol e a Copa do Rei.  Na temporada 1960-61, Kubala já sentia o peso da idade e dores recorrentes dos carrinhos que levava de zagueiros que não conseguiam parar de forma limpa o seu genial futebol. Mesmo assim, levou o Barcelona a final da Liga dos Campeões. Durante a campanha, o Barcelona eliminou o Real Madrid. Infelizmente, para Kubala, o clube sucumbiu ao Benfica e acabou sendo derrotado por 3 a 2 na grande final. O duro golpe fez com que ele encerrasse sua carreira.

O memorável trio hungáro do Barcelona
O memorável trio húngaro do Barcelona

 

Kubala teve uma breve experiência como treinador do Barcelona em 1963, além de ter feito quatro jogos pela seleção da Catalunha (a quarta e última em sua carreira), marcando quatro gols. Atuou ainda como jogador pelo Espanyol (Onde atuou ao lado de Di Stéfano). Kuksi, como foi apelidado na adolescência, ainda tinha sede de conhecer o mundo. Jogou então pelo FC Zürich, na Suíça e pelo Toronto Falcons, no Canadá.  Retomou a carreira de treinador, onde comandou outras equipes espanholas e a própria seleção entre 1969 e 1980. Seu último trabalho no futebol foi comandar a seleção Paraguaia.

Em 1999, recebeu a prova de reconhecimento mais gloriosa e honrosa que alguém pode receber: Foi nomeado o maior ídolo do Barcelona, vencendo uma enquete que tinha outros nomes, como Maradona, Rivaldo, Romário e  Johan Cruyff. Faleceu em 2004, aos 74 anos, vitimado pelo Mal de Alzheimer. Kubala partiu, mas deixou seu nome para sempre na história do futebol. Ídolo é para sempre!

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Posted by Matheus Felippe