Talento brasileiro na Alemanha: Conheça o jovem Felipe Pires

Não é conhecido, nem badalado, mas é humilde e bom de bola. Felipe Pires de apenas 20 anos é um ponta esquerda de muita qualidade técnica, velocidade e visão de jogo.

Felipe começou no Red Bull Brasil e logo ganhou destaque na equipe. Logo atraiu os olhares de um dos parceiros da rede de clubes da empresa de energéticos e foi parar na Alemanha, no RB Leipzig. Depois disso foi até a Áustria, no Liefering. Logo após partiu para outro Red Bull, o Salzburg, onde passou a ganhar destaque. Ganhou a Österreichischer Meister (primeira divisão austríaca) e a ÖFB-Cup (Copa da Áustria). Agora joga pelo FSV Frankfurt, da Alemanha, mas está por empréstimo, pois pertence ao Hoffenheim.

Hoje na segunda divisão alemã, Felipe sonha ainda com títulos e conquistas. E pode sonhar, pois é bom jogador e vem se aprimorando em busca de um melhor futebol.

Contatamos o assessor de imprensa dele, André Lacerda que ajudou na realização da entrevista. Felipe nos atendeu rapidamente e com muita disposição de responder nossas perguntas. Confira a entrevista.

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Saída do Brasil

Nos Acréscimos– Você foi revelado no Red Bull Brasil em 2013 e não demorou muito para atrair os olhos do exterior. Como você se sentiu ao saber que poderia jogar fora do país logo no início de sua carreira? Como seus familiares e amigos lideram com isso?

Felipe Pires– Quando eu soube dessa notícia fiquei muito feliz, mas antes de receber a notícia eu meio que já sabia que iria pra Europa porque meses antes eu havia feito um intercambio no parceiro da Red Bull em Leipzig e em Salzburg por uma semana, e lá eu pude jogar bem, fiz gols nos amistosos o que atraiu o olhar dos treinadores de lá. Duas semanas depois de voltar ao Brasil, o diretor disse que o RB Leipzig e o Salzburg queriam que eu jogasse lá. Fiquei muito feliz e não pensei duas vezes. Logo conversei com a minha família e resolvi vir. Também não tinha muito tempo de pensar, o diretor falou na sexta e eu tinha de embarcar no domingo, acabei vindo.

Champions League

NA– Logo com 20 anos você jogou (mesmo que seja os playoffs) a Champions League. Qual foi a sua sensação ao jogar pela primeira vez no maior campeonato de clubes do mundo?

FP– A sensação é a melhor do mundo. Sempre foi um sonho, jogar na seleção brasileira, jogar uma copa do mundo e jogar a Champions (não só uma). Já pude realizar um desses sonhos, sim foram playoffs. Mas independentemente disso eu joguei, tá registrado. A sensação é a melhor do mundo. Ouvir aquele hino, e até 3 anos atrás eu assistia a Champions na TV e agora estou jogando.

Chegada à Europa

NA– Ao desembarcar na Europa, qual foi a maior diferença que você sentiu? O choque cultural e linguístico te deu certo medo no início?

FP-Foi um dos momentos mais difíceis na minha curta carreira. Não só pela cultura, mas também pela filosofia de jogo, a língua e também o clima. Quando eu cheguei no Leipzig em 2013, estava nevando muito e logo o primeiro treino foi sob neve. Foi uma dificuldade enorme. Nos brasileiros estamos acostumados com o calor, então foi muito difícil pra mim, demorei uns dois meses para me adaptar, mas agora não tenho mais esses problemas.

Racismo

NA– Vamos tocar agora num assunto delicado e polemico. Infelizmente a pratica do racismo é recorrente em países europeus. Você já sofreu algum tipo de ato racista dentro ou fora de campo?

FP– É uma palavra complicada que passa na cabeça de muita gente. Mas graças a Deus nunca passei por isso aqui na Europa (já estou há quase três anos). Nunca houve nenhum ato de racismo, pelo contrário, sempre me trataram bem, tanto o clube como os torcedores. Sim, já ouvi vaias por conta do meu futebol certa vez, isso é normal, mas nunca sofri com racismo e fico muito feliz por isso.

Valor de passe

NA– Segundo o maior site de transferências do mundo, o Transfermarkt, ao chegar na Europa, seu passe girava em torno de 250 mil euros. Hoje ele já está em 800 mil, um acréscimo de 320%. Com isso, cresce também a expectativa da apresentação de um bom futebol. Em relação a pressão e expectativa, como você se sente com isso?

FP– Sim, cresce a minha expectativa com o meu futebol, mas penso em foca somente em jogar. Quero deixar essa parte de dinheiro e o quanto estou valendo de lado. O que importa pra mim é jogar, treinar, procurar sempre melhorar, me aperfeiçoar, fazer gols, ajudar minha equipe. Essa parte de valor de passe acompanha o futebol. Se você joga bem, seu passe valoriza cada vez mais, mas não me preocupo com isso.

Seleção

NA– Para finalizar, você faz parte da estatística de jogadores que logo cedo saíram do brasil. A pergunta que fica é: Você tem vontade de vestir a amarelinha ou a trocaria tranquilamente por outra seleção?

FP– Meu sonho desde pequeno é a seleção brasileira, jogar uma copa do mundo, mas sei o quanto isso é difícil. Estou trabalhando firme, tenho 20 anos e sei que só com o trabalho que poderei chegar lá. Se alguma seleção fizesse a proposta, eu pensaria com muito carinho, mas o meu sonho mesmo é vestir a amarelinha, não tem jeito.


O atual clube em que Felipe joga, o FSV Frankfurt está próximo a zona de rebaixamento da 2. Bundesliga, porém se depender da habilidade e da força de vontade do brasileiro, isso não irá perdurar por muito tempo.

Confira alguns lances quando ainda estava no início da carreira.

Veloz, habilidoso, com raciocínio rápido, bom domínio de bola, entre outras características, Felipe pode não ter destaque agora, mas logo despontará. Se o Hoffenheim permanecer na primeira divisão, o brasileiro terá a oportunidade de jogar contra alguns dos maiores craques do mundo, então resta a ele agarrar essa oportunidade, já que talento é o que não falta.

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Posted by Giovanni Chacon

Amante do futebol em geral. Fundador do Nos Acréscimos e comentarista na Rádio Jovem Pan AM - São Paulo. Estudante do primeiro ano de jornalismo.